“Quem não está confuso, não está bem informado”

por Jose Renato Bergo

Ninja_1

Como postou uma amiga minha no FB, “Quem não está confuso,não está bem informado”.
Esta lucidez em reduzir o complexo num simples paradoxo é um achado na era da Informação que cremos viver.

A frase, fruto fresco da observação e de uma tuitada de Carlito Azevedo, poeta (sempre eles!) a partir de cartaz nas manifestações juninas de 2013, é sintomático na babel das subjetividades, da crise de conceito, da ética, e óbvio da falta de transparência nas comunicações dos poderes (do 1o poder-Estado ao 4o poder-Midias).

Só para acharmos o denominador comum sociológico, “Comunicação é o campo das atividades humanas em que (…) as pessoas se relacionam entre si,(…) trocando experiências, idéias, sentimentos, informações, modificando mutuamente a sociedade onde estão inseridas. Sem a comunicação, cada um de nós seria um mundo isolado.” [by qualquer livro teórico de comunicação].

Informação, pelo que se entende no desacreditado Wikipédia é o resultado do processamento, [da] manipulação e organização de dados, de tal forma que represente uma modificação(…) no conhecimento do sistema (pessoa, animal ou máquina) que a recebe.

Assim, se os Estados comunicam desinformação, parca informação ou mesmo da falta dela para manter a “ordem” (seja qual for) procuram claramente manipular. A mídia tradicional engatou um rabo nos poderosos faz tempo. Assim quem domina o poder da retórica tem mais chances de obter vantagens políticas ou financeiras através da influência sobre as pessoas. VIA MIDIA.

Está obvio que os poderes ñ estavam sendo muiiito sinceros no modo de agir e comunicar. Não mesmo!
Quem antes só escutava, agora grita. E várias vozes gritam coisas distintas!

O Conteúdo da comunicação “social” em rede multiplataformas (técnicas e instrucionais), bem como as multi-subjetividades propostas pelos coletivos midiáticos emergentes (MidiaNinja, Existe amor em SP, #Anonymous, Wikileaks e por aí vai) vão quase sempre na direção de mostrar/divulgar como os poderes ( do 1o ao 4o) estão manipulando. Vira do avesso a informação, e para isto usa da divulgação imediata e com extenso volume de informação sem tratamento ( como pontuou o decano Dilmes do Observatório de Imprensa no Roda Viva).

O programa Roda Viva [Tv Cultura_SP] na última segunda-feira (05/08) trouxe os representantes do MidiaNinja / PostTV ( Capilé e Torturra ) e mostrou como há uma revolução no modo de nos comunicarmos com o poder e com a sociedade.
Acontece que depois do programa tudo ficou aparentemente confuso ou aparentemente claro, dependendo de onde vc enxerga. A complexidade faz isto. Quando a coisa ñ transparece, as informações ficam subjetivas demais, e até por isto formam a tal da Multiparcialidade que os Ninjas expõem para a construção deste mosaico.
Lembrando do Mc`Luhan (Aquecer para entender) vamos em algum momento sacar se a com-fusão de informações em que as mensagens são passadas pela rede Ninja satisfazem. De qualquer modo, no meu filtro a mensagem clara para os meios tradicionais é: VAMOS MUDAR. O MODELO de GOVERNO e a DESINFORMAÇÃO q PROPÕEM ñ NOS REPRESENTA.

Mas qual modelo de governo? O antigo ou o atual? A direita ou a esquerda? Como parei de julgar, mas continuo a me preocupar com a critica consciente, achei a Beatriz.

A Cineasta Beatriz Seigner (“Bollywood Dream – O Sonho Bollywoodiano”) fez no FB uma contundente exposição dos procedimentos que o FdE (Fora do Eixo) executa para capitalizar (politicamente e financeiramente) sobre as obras autorais de artistas (ñ remunerados) na rede capilar que possui pelo Brasil. O pseudo SOBREpartidarismo deixa de existir. O intuito aparentemente é estabelecer-se como força de poder.

“(…)A Casa Fora do Eixo, agora com os esforços voltados para sua iniciativa de Mídia Ninja, (antes era Mídia ForadoEixo, mas como foram muito expulsos de manifestações resolveram mudar de nome) (…) utiliza o método de usar os vídeos feitos por centenas de pessoas não ligadas ao Fora do Eixo, editá-los, subí-los no canal sob seu selo, e querem capitalizar em cima disso (…) eu já acho bastante discutível eticamente.”
outra passagem conta:
“Recebi um contrato do Sesc e vi que o Fora do Eixo estava recebendo por aquela sessão [de exibição de seu filme, com espaço para debates] em meu nome e não haviam me consultado sobre aquilo. Assinei o contrato minutos antes da exibição e cobrei do Fora do Eixo aquele valor, descrito ali como sendo meu cachê, coisa que eles me repassaram mais de nove meses depois porque os cobrei publicamente”

Raissa Galvao, midialivrista (Midia Livre) do Fora do Eixo de BH, responde a posição de Beatriz de modo pessoal, contando sua experiência
“Se é pra produzir um relato sincero, claro e lúcido sobre a minha realidade, deixa que eu escreva. (…) Sempre fui filha única, neta única,(…) Hoje eu moro em uma casa coletiva.(…). E nada, absolutamente nada disso me faz menor, ou muito menos escrava de qualquer sistema maquiavélico que se aproveita de jovens indefesos pelo país. Estamos propondo e vivendo uma outra lógica, que questiona e contradiz a vigente, mas que convive e hackeia por dentro.”

Concordo que a experiência que cada um vive é rica, e será ainda, mesmo q a coisa descambe num barranco.
Agora, discute-se o “modelo econômico da produção FdE”. Se ele pertence a um estado de poder, ou se é um esforço jovem e inovador, de escambo para facilitar a troca de serviços entre a rede. E isto é muito mais amplo do que se a experiência vivencial de cada um é rica. Discute-se se o modelo de negócios é ético.
Evito julgar se a coisa é escusa, sem nexo, e se joga dúvidas na honestidade das atividades, mas se for assim alguém vai ganhar e alguém vai perder, não me parece um modelo de negócios ganha-ganha.

A segunda coisa, mais sensível, fala da “influência partidária subterrânea” que está atuando. A cineasta expõe que só eles, os líderes, ganham em influência política e fortalecem o poder atual da esquerda cultural ñ muito ética (de novo, seja qual for o significado desta palavra hoje). A midialivrista diz q as gerações jovens ganham e muito com a experiência, como um grande mochilão comunitário e político.

Postando no FB minhas opiniões, recebi um comentário de feedback que argumentava o seguinte:
“Mas vc não acha meio ruim quando o modelo econômico varia? Por exemplo: porque o cantor Criolo recebe o cachê em reais e as outras bandas menores recebem em cubo cards? Não é exatamente pra acabar com essas diferenças de escambo que se inventou a moeda [dentro do modelo do FdE]?”

Ñ sei responder isto completamente. Creio que foi uma decisão de oportunidade. Estas coisas acontecem em qualquer empreendimento. Naquele momento (e se me lembro, no evento apartidário “Existe Amor em SP” na Roosevelt, aqui em Sampa) era importante ter alguém de peso para aglutinar (Criolo e outros). Isto aconteceu. O FdE Sampa pretendia emergir (meio aos tapas com outras associações sociais) como catalisador das vontades políticas da voz de rua contra a velha política (re-apresentada) com Celso Russomano, Gilberto Kassab e Serra. E creio eu, por isto bancaram a conta.
Agora pergunto? Porque bancaram isto? Hummm…Retorno Comercial ou…Influência política?

Aqui um video [Rosa Roosevelt] que fiz e conta a cena: clique aqui.

Captura de tela 2013-08-09 às 23.34.58
De qualquer modo, preocupam-me duas coisas “claras”. A primeira é chegarmos lá na frente `a uma redução niilista, e isto rumar para um radicalismo político social, como já visto nas manifestações de junho/13.

Veja o vídeo 7o. ATO que registrei nas manifestações de junho/13 e que fala um pouco disto:
clique aqui.

Outro mais crítico, é a suposição que a transparência e o pluri-subjetivismo de focos que o FdE quer, na verdade ele mesmo ñ consegue ter. Supõe-se que o Ninja usa do mesmo maniqueísmo dos podres poderes, agora a favor de apenas um lado político.
Talvez apenas indica que um novo “Lula” vem ai, ainda mais “chavista”. Algo como nunca se viu na história deste pais.

Estes links ajudam a ver outras parcialidades, e foram referenciais onde bebi.
http://www.trilhosurbanos.com/2013/08/sonho-ninja-acabou/
http://www.salamalandro.redezero.org/a-revolta-do-vinagre-ou-nao-temos-tempo-de-temer-a-morte/
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed727_o_quarto_poder_se_assanha
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/08/130805_midia_ninja_cc.shtml
https://www.facebook.com/notes/ivana-bentes/esqueceram-de-perguntar-notas-para-um-outro-debate-midianinjarodaviva/689645624383627
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-fora-do-eixo-virou-um-problema-para-a-midia-ninja/

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